A cultura do desperdício em Três Lagoas

População denuncia descaso dos governantes na região do Bolsão

A cidade de Três Lagoas é uma gigante do Mato Grosso do Sul. É o 8° maior PIB (Produto Interno Bruto) da região centro-oeste e está entre os 100 mais invejáveis do Brasil. A Cidade das Águas é tudo isso, só lhe falta um rumo, um norte, uma gestão que faça essa nave atolada decolar. O grande desenvolvimento econômico de Três Lagoas nas últimas duas décadas não foi acompanhado por um desenvolvimento social e infraestrutural à sua altura.

Empresas chegaram, se instalaram, geraram empregos e uma arrecadação magnífica, mas o povo ficou alijado desse momento econômico privilegiado. A prosperidade ficou restrita basicamente ao grupo político aboletado no poder há décadas e aos amigos do rei. Ao povo, restaram inundações, equipamentos de saúde sucateados, falta de transporte público, datas para exames e cirurgias a perder de vista. 

Mas por que tanta riqueza não chega até a população local? Por que o povo que habita as bordas da cidade de Três Lagoas não vê nada de novo acontecer, além daquilo que é feito região central? Hoje, por meio das redes sociais, temos a oportunidade clara de ver parte do que é feito com o produto da arrecadação de impostos dos três-lagoenses. Como se não bastassem sórdidas intenções dos que gerem a coisa pública, ainda temos o desperdício cruel de recursos do povo, fruto do suor sagrado dos trabalhadores e empreendedores.

A certeza desse triste desperdício de recursos públicos em Três Lagoas foi escancarada numa 'live' feita por um vereador daquela cidade, que tentava mostrar de forma até desesperada aos seus representados, duas creches que deveriam estar acolhendo centenas de crianças há cerca de três anos e que hoje não passam de esqueletos de concreto abandonados em meio ao mato e muito lixo.

Infelizmente o desperdício de recursos, não tolerado na iniciativa privada, é visto com normalidade no serviço público tanto Brasil afora, como em Três Lagoas. A cultura do desperdício público, de forma equivocada, é praticada impunemente pelo gestor comum e incapaz, como se fossem perdas meramente circunstanciais ou prejuízo natural da guerra pelo poder. O desperdício público é, sem sombra de dúvidas, um dos gargalos que impedem o desenvolvimento social e infraestrutural do povo de Três Lagoas.