Quando o argumento de “UNIR A DIREITA” quase elegeu a esquerda

Texto escrito pelo advogado Marcos Caldeira

Artigo do dia 30/07/2020 - Publicada por Voluntários do MS Conservador
 

O ano era 2014 e a então presidente Dilma Rousseff disputava a reeleição em uma das mais acirradas disputas eleitorais vistas na história do Brasil.

Dentre os motivos de tão grande disputa estava a insatisfação do povo brasileiro com a gestão de Dilma, que já naquele momento apontava os rumos do que viria a ser o governo mais desastroso da história. Nesse contexto, e em somatória aos fatores influenciadores do resultado das eleições daquele ano, um novo movimento ideológico se iniciava na esteira de figuras como Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé, Rodrigo Constantino, Felipe Moura Brasil, Kim Kataguiri, Jair Bolsonaro, dentre tantos outros.

O citado movimento logo se denominou como “A Direita” no Brasil e tinha como primeiro objetivo utilizar as eleições como instrumento para começar a extirpar a ideologia de esquerda do país, elegendo representantes que possuíam a mesma identificação com a dita “Direita”.

Ocorre que, naquele momento, os conceitos sobre o que era ser “Direita” ainda não estavam bem definidos nem mesmo entre aqueles que se colocavam como os porta-vozes do movimento político-ideológico recém-nascido. Foi em meio a esse cenário de completa confusão de conceitos que, de uma hora para outra, “ser de Direita” passou a significar tão somente ser oposição ao PT.

Porém é óbvio que em um país com dezenas de partidos políticos formalizados e, ainda, em virtude dos diversos escândalos de corrupção envolvendo o partido já em 2014, “não ser PT” era a coisa mais fácil do mundo. E foi assim que fomos levados ao engodo de acreditar que figuras como Aécio Neves e que partidos como o PSDB eram representantes da Direita.

Aécio Neves conquistou mais de cinquenta milhões de votos, a maioria de pessoas que não se sentiam representadas pela ideologia de esquerda defendida pelo Partido dos Trabalhadores. Isso só foi possível em virtude do apoio aberto dos “gurus” da Direita ao candidato, que diuturnamente lembravam seus seguidores que “para derrubar a esquerda, a Direita deve se unir”. E foi então que, unida, a Direita quase elegeu um candidato de Centro-Esquerda, representante de um partido que leva “Social-Democracia” no nome e que pouco tempo depois seria reduzido a um dos protagonistas do maior escândalo de corrupção do país.

Hoje em dia, chega a ser inacreditável lembrar que lá em 2016, nas manifestações populares a favor do Impeachment da Dilma, tinha gente que, com todo o orgulho do mundo, vestia camisetas e bonés com os dizeres “A culpa não é minha, eu votei no Aécio”. Todavia, passados seis anos da quase eleição de Aécio Neves, a Direita parece ainda não ter se encontrado definitivamente, prova disso é que, atualmente, até mesmo Roberto Jefferson é visto como representação da Direita na política – e eu nem preciso lembrar da decepção que tivemos com o PSL.

Na iminência das Eleições Municipais, o que se observa é mais uma vez o discurso de “Unir a Direita contra o mal maior”: Valendo-se desse mote, brotam aos montes aqueles “figurões” que, a despeito de sua ineficiência, juram serem a melhor opção de voto por serem fiéis representantes da Direita – e se alguém ousar contestar, logo é repreendido e tachado de “aquele que quer dividir a Direita”.

Na cabeça dos defensores da “União acima de tudo, até mesmo da qualidade”, é como se valesse a pena contrair AIDS para se livrar do Câncer. Das duas, uma: Ou essas pessoas não viveram 2014 ou tentam se utilizar do mesmo expediente e se aproveitar da ânsia da população por mudanças.

Deve-se ter cautela diante desse argumento para que o engodo de 2014 não se repita. Não basta o candidato se dizer adepto à ideologia de Direita – serei até mais ousado em dizer que nem mesmo ser “direitista” de fato é o suficiente. O candidato deve ser responsável, gostar de trabalhar e ter compromisso com as pautas que defende. ALÉM DISSO, ele deve ser de Direita. Não o contrário.

Marcos Caldeira é advogado e voluntário do MS Conservador. 


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